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A mostrar mensagens de maio, 2022

Nuvens

Nuvens...  A cortina ondulante ao vento transporta-me para esse imaginário... permitindo-me entrever a inconstância das suas cores e formas e levando-me para longe...  Estou lá, nas nuvens, e deixo-me abraçar em câmara lenta, para poder sentir toda a plenitude desse abraço, aos poucos, gota por gota... E conhecer-te... E fico assim, envolvida na suavidade da tua pele doce de algodão; a flutuar no teu mar cor de sal, à tona de água numa densidade que sabe tão bem... e em que é tão simples deslizar... Às vezes, a tua alvura transforma-se numa iluminada escuridão dissonante, mas sei que voltas, é um ciclo. E quando vens nunca desiludes.  O descanso, os passos e até as mais loucas fantasias continuam a poder mergulhar em ti num verdadeiro deleite condensado... E não, não há vontade de partir. Só de chegar perto. É que nuvens como tu, que também sabem ser arco-íris, são o melhor sinónimo de tempo soalheiro. Vanessa Oliveira (10.07.2020) Publicado em "Poesia ao Domicílio - Anto...

Farol

És viagem, exuberância de cor, baile de verão! Movimento, evolução. Contorno, luz, textura, Ação! Tela em constante procura, inquietação, Rasgar de inspiração! E moldura sem travão... És a minha praia, a areia do meu primeiro andar, A casa depois das águas, o meu canto e chão. A baía que me lança à aventura das mil léguas, O baloiço da criança que aos poucos se vê madura. És a selva verdejante, a densidade onde me perco, Meu alimento, meu ar!... A fonte de energia  Que ganho à chegada a qualquer casa de partida,  Corrida jogo de vida, que não posso perder... És a lua que aquece a alvura da minha intensa tez E baila comigo em todas as fases. És frase  De palco e plateia de estrelas. O criador te fez Bela, e suave, e esguia, entre mãos de luz... És o meu mar, o infinito onde me deixo flutuar Num limbo sincronizado com os teus seres Curador de minha mágoa com tuas ondas de tocar E eu, tua cauda serei sempre, tua sereia... És o porto que me acolhe em múltiplos regressos, Em d...

Canto da Epopeia

Por tudo o que nos tens dado, tu mereces todos os cantos. És ninfa, és deusa, és musa e fonte de épicos encantos. Ainda te conheço pouco, mas sei que é grande a tua empresa E só uma criatura com a tua vitalidade, sabedoria e pureza Conseguiria resistir, por entre NEVOEIROS de adversidade E prosseguir, com esperança, na busca da humana bondade.   Só podemos agradecer à PUJANÇA dos ventos que te guiam Por esses mares de contracorrentes que te assediam Qual estrada de escorregadias pedras soltas e afiadas... E sinto a dor das tuas janelas tantas vezes marejadas De SAL... O teu esforço é árduo, esbarra na tristeza De uma missão que quer guardar a inocência e a beleza: Salvar da extinção seres de múltiplas formas e cores Os sons e as texturas da paisagem, aromas e sabores Cruzada em que todas as vozes serão poucas, pois roucas Algumas vão ficar. Perante orelhas moucas de teses loucas Há que formar corpo de conhecimento e saber argumentar: Com amor. Por caminhos do coração ter o son...

Poesia Domiciliária

Poesia domiciliária... ... que me prende de pés e mãos desatadas... Que me atira contra a tela e me esborrata... E me pincela numa gota a gota que sorvo sôfrega, em busca da hidratação... Poesia domiciliária... ... que me descreve, num papel de cenário sem horário nobre... e me enovela em letras que me cobram inúmeras combinações... revelando-me um cofre de aparência vazia, mas que sinto cheio... Poesia domiciliária... ... em que confio, porque teima em não me confinar. Que com fina mente me levita e fino mento me alumia. Por caminhos pedregosos e escorregadios onde tento passear... Poesia domiciliária... ... que me domas e subjugas... e me dás pena sem julgamento. Que me seduzes e serenas com teu alfabeto e, generosa, me ofereces o teu secreto dicionário e me tornas tua escrivã...  Poesia domiciliária... ... que neste vaso espero que transbordes. Que a tua riqueza, que no eterno celebro, me permita viver meu corpo com tua mente, livre e sã… Vanessa Oliveira (16.01.2021) Publicado ...

BEM-VINDOS AO VOO DAS PALAVRAS!

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Bem-vindos ao meu blogue!  "Voo das Palavras" é primeiramente um convite à semente interior, à exploração do sentir, e depois ao deixar-se guiar, brincando e bailando, e voar com as palavras. "Voo das Palavras" é uma semente especial: plena de raízes que desfrutam do abraço ao novo, em crescimento constante onde casulo e desconhecido se conjugam, permitindo desvendar voos antigos e o germinar de novos voos. E, quem sou eu?   Esta é a minha mini-biografia, a 14 de Maio 2022. VANESSA OLIVEIRA Em criança, já gostava de ler e de inventar histórias. A descoberta da poesia veio depois, os primeiros escritos na idade do armário, e as primeiras publicações no jornal da faculdade e numa coletânea ambiental. A sua profissão, bióloga e educadora ambiental, é um constante convite à palavra, tendo dirigido a revista de divulgação Pardela da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves. Este caldo criativo, com canto coral à mistura, cruzou-se com um acaso feliz e, desde 2...