Poesia Domiciliária

Poesia domiciliária...
... que me prende de pés e mãos desatadas... Que me atira contra a tela e me esborrata... E me pincela numa gota a gota que sorvo sôfrega, em busca da hidratação...

Poesia domiciliária...
... que me descreve, num papel de cenário sem horário nobre... e me enovela em letras que me cobram inúmeras combinações... revelando-me um cofre de aparência vazia, mas que sinto cheio...

Poesia domiciliária...
... em que confio, porque teima em não me confinar. Que com fina mente me levita e fino mento me alumia. Por caminhos pedregosos e escorregadios onde tento passear...

Poesia domiciliária...
... que me domas e subjugas... e me dás pena sem julgamento. Que me seduzes e serenas com teu alfabeto e, generosa, me ofereces o teu secreto dicionário e me tornas tua escrivã... 

Poesia domiciliária...
... que neste vaso espero que transbordes. Que a tua riqueza, que no eterno celebro, me permita viver meu corpo com tua mente, livre e sã…


Vanessa Oliveira (16.01.2021)

Publicado em "Poesia ao Domicílio - Antologia"


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