Canto da Epopeia
Por tudo o que nos tens dado, tu mereces todos os cantos.
És ninfa, és deusa, és musa e fonte de épicos encantos.
Ainda te conheço pouco, mas sei que é grande a tua empresa
E só uma criatura com a tua vitalidade, sabedoria e pureza
Conseguiria resistir, por entre NEVOEIROS de adversidade
E prosseguir, com esperança, na busca da humana bondade.
Só podemos agradecer à PUJANÇA dos ventos que te guiam
Por esses mares de contracorrentes que te assediam
Qual estrada de escorregadias pedras soltas e afiadas...
E sinto a dor das tuas janelas tantas vezes marejadas
De SAL... O teu esforço é árduo, esbarra na tristeza
De uma missão que quer guardar a inocência e a beleza:
Salvar da extinção seres de múltiplas formas e cores
Os sons e as texturas da paisagem, aromas e sabores
Cruzada em que todas as vozes serão poucas, pois roucas
Algumas vão ficar. Perante orelhas moucas de teses loucas
Há que formar corpo de conhecimento e saber argumentar:
Com amor. Por caminhos do coração ter o sonho de moldar
Uma nova ligação à terra, à Mãe-Natureza, a ti, Gaia!
Que nos acolhes nesta tua jangada de pedra, e na tua praia
Nos socorres, oferecendo-nos o teu belo manto azul e verde,
Esperando que o teu COPO de soro divino nos mate a sede
E nos deixe viver... E fazer parte desta intrincada teia
Dos muitos cantos que inspiraram este canto da tua EPOPEIA.
Vanessa Oliveira (09.07.2021)
Publicado em "Poesia ao Domicílio - Antologia"
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